Lucio Antoniolo Em 18 - outubro - 2008

 Nas grandes metrópolis do Brasil a população é obrigada a se deslocar grandes distâncias de casa para o trabalho. Junte a isso os engarrafamentos e o transporte irregular e teremos longas horas improdutivas de milhões de pessoas.
Para não deixarmos de falar do lado econômico desse mal moderno, vejamos o impacto na vida de um trabalhador com salário de R$ 500,00. Se esse trabalhador mora a uma hora do trabalho, gasta duas horas de deslocamento por dia. Se trabalhar se segunda a sexta, terá gasto dez horas dentro de um ônibus, trem, metrô ou barca. Isso representa, no caso desse trabalhador, R$ 20,80 por semana, considerando que o valor de sua hora de trabalho é R$ 2,08.
Mensalmente, o trabalhador terá deixado de ganhar R$ 83,20 por causa das horas de deslocamento, representando 16,64% de seu salário. Parece pouco, mas equivale a quase dois salários a mais num ano de trabalho (R$ 998,40).
Se esse trabalhador pudesse reverter essas horas de deslocamento em dinheiro, teria na mão R$ 998,40 ao final de um ano! Considerando que ele aplicasse essa quantia por cinco anos (60 meses), a taxa de 5% ao mês, terá conseguido R$ 18.649,30 (segundo calculadora do Banco Central). Imagine quem gasta três horas de deslocamento, imagine quem ganha um pouco a mais…
Pois bem, você pode estar se perguntando como reverter esse tempo de deslocamento em dinheiro. Há muitas formas de você se beneficiar dessas horas, basta pensar de forma diferente.
Se você costuma dizer que não tem tempo para fazer cursos ou para estudar, pode pensar que está numa sala de aula ambulante. Pense que você não está deixando de fazer dinheiro, mas sim que está investindo tempo e dinheiro em aprendizado. Leia livros técnicos ou faça cursos de idiomas (desses de revista mesmo). É uma boa maneira de usar seu tempo.
Há algumas pessoas que criam amizade em ônibus. Além do fato da própria amizade ser benefícia, se você tem aptidão para vendas, promova algum produto como cosméticos, lingerier, doces caseiros etc. Veja o exemplo do empresário Silvio Santos, o Homem do Baú. Ele começou aos dez anos vendendo capas de plástico para documentos nas ruas do Rio de Janeiro. Depois, enquanto trabalhou na Rádio Continental de Niterói, anunciava produtos na barca Rio-Niterói através de um serviço de anúncios a bordo. Também aproveitava a longa demora e vendia refrigerantes e cervejas dentro da barca. O resto da história todo mundo conhece.
Ainda assim, se você não tem aptidão para o comércio e não pode ler em ônibus, considere dormir um pouco. Se você tem oportunidade de dormir um pouco no trajeto casa x trabalho, pense que está “pagando” uma diária num hotel barato só para repor as energias. Alguns minutos de sono podem fazer diferença na rotina de alguém que acorda cedo ou dorme tarde.
Se nada disse lhe parece interessante, apele para a música, ouça rádio ou compre um MP3 player. Hoje com preços mais acessíveis, podemos carregar horas de música num aparelhinho que cabe facilmente no bolso. É provado que a música faz bem para a mente, além de ser um excelente passa-tempo. Faça sua vida ter uma “trilha sonora”. Garanto que ao final da viagem você poderá estar se sentindo melhor do que viajar sem música.
Pense em outras formas de aproveitar melhor seu tempo de deslocamento. Há sempre alguma coisa mais interessante do que vegetar olhando para o teto do ônibus.

Meu nome é Lucio Antoniolo, e eu sou mais um cara que acredita!
Sobre Lucio:
Lucio Antoniolo é formado em Ciência da Computação e é Analista de TI em uma empresa pública. Mesmo trabalhando com ciências exatas, prefere o complexo mundo das relações humanas. Gosta de viagens, filmes e tecnologia. É casado e tem um filho.
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