Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

A partir do início desse ano entrou em vigor o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Muito já se falou sobre as mudanças, mas o impacto é muito maior do que acentuação e grafia das palavras.

O INÍCIO

Ainda no Século XVIII, Portugal e Brasil seguiam a ortografia baseada no latim ou grego (ex: pharmacia).

Em 1911 Portugal implementou uma reforma ortográfica que se diferenciou do Brasil, que continuou com a ortografia tradicional.

Somente em 1931 realizou-se o primeiro acordo que, no entanto, manteve algumas divergências no vocabulário publicado por Portugal (1940) e Brasil (1943). Realizaram então outro encontro que deu origem ao Acordo Ortográfico de 1945, seguido apenas por Portugal, já que o Congresso Brasileiro não o ratificou. O Brasil continuou seguindo o acordo de 1943.

Os dois países só reaproximaram a ortografia em 1973 quando um entendimento suprimiu os acentos gráficos responsáveis por 70% das divergências.

Houve ainda duas outras tentativas que não obtiveram sucesso em 1975 e 1986, principalmente devido às reações sobre a supressão da acentuação nas palavras proparoxítonas.

A RESISTÊNCIA

Atendendo às críticas feitas à proposta de 1986, nascia em 1990 o novo Acordo Ortográfico, o que atualmente está em vigor. Após dezoito anos do acordo o Brasil passa a adotá-lo (não imediatamente como veremos mais a frente).

Os Presidentes Lula e Cavaco Silva

Os Presidentes Lula e Cavaco Silva

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 previa a sua entrada em vigor em 1º de janeiro de 1994, desde que todos os membros Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) o tivessem ratificado. Porém, apenas Portugal e Brasil o fizeram.

Um “Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” foi assinado em 1998, retirando do texto a data de sua entrada em vigor, tendo sido assinado apenas por Brasil, Portugal e Cabo Verde.

Em 2004 foi aprovado o “Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico” que permitiu a adesão pelo Timor-Leste e previa a necessidade de apenas três membros da CPLP para que o Acordo Ortográfico entrassem em vigor.

O “Segundo Protocolo Modificativo” foi ratificado pelo Brasil em 2004, por Cabo Verde em 2005 e em 2006 por São Tomé e Príncipe. Mesmo com o número necessário de membros ratificando o acordo, julgou-se necessário a ratificação de Portugal, fato ocorrido somente em maio de 2008.

A REALIDADE

Onde o Português é a Língua oficial

Onde o Português é a Língua oficial

O que não é de conhecimento geral, é que o prazo para adoção da regra gramatical varia entre os países membros. No Brasil, o prazo é de quatro anos e começa a ser obrigatória nos documentos oficiais do governo. Durante este prazo, serão aceitas as grafias atuais e do novo acordo.

Até que tenhamos um Vocabulário Ortográfico Comum em vigor em todos os países de Língua Portuguesa, teremos que esperar algum tempo. Ainda teremos dupla grafia em algumas situações, em palavras onde a pronúncia é notadamente diferente entre os países, como é o caso de fenômeno e fenómeno, tênis e ténis.

A grafia dupla por si só já constitui forte fator contrário à adoção de uma ortografia única. O fato de haver palavras escritas de formas diferentes de acordo com a pronúncia em cada país dificulta a aceitação de outras regras do novo acordo.
Além das questões técnicas e emocionais contrárias ao novo acordo, existe o interesse econômico. Com alteração de cerca de 0,5% nos vocábulos, contra 1,6% nos demais países, o português falado no Brasil passa a ser aceito como padrão. Críticos do novo acordo dizem que o “abrasileiramento” da Língua Portuguesa representará ganhos econômicos ao Brasil, como nos casos de obras literárias e televisivas.

De fato, o “abrasileiramento” da Língua Portuguesa favorecerá o Brasil comercialmente, fortalecendo sua posição junto às grandes potências mundiais. Sendo o Português a 5ª Língua mais falada no mundo, e o Brasil a 10ª economia mundial e tendo Portugal em 35º lugar, atrás até da Argentina, é de se esperar que o Brasil comande as mudanças que o favorecem.

O Português não chegará a ter expressão internacional como tem o Inglês e o Espanhol. A não ser que um dos membros da CPLP destaque-se no cenário econômico mundial, forçando o seu aprendizado mundo afora, e o Brasil caminha para assumir esse papel.

Fontes: Wikipédia e Banco Mundial

Meu nome é Lucio Antoniolo, e eu sou mais um cara que acredita!

Lucio Antoniolo

Lucio Antoniolo

Lucio Antoniolo é formado em Ciência da Computação e é Analista de TI em uma empresa pública. Mesmo trabalhando com ciências exatas, prefere o complexo mundo das relações humanas. Gosta de viagens, filmes e tecnologia. É casado e tem um filho.

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18 Respostas para “Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”

  1. RAYSA says:

    NOSSA VCS Ñ SABE O QUANTO EU GOSTEI DESSE NOVO ACORDO ORTOGRAFICO POIS AJUDA MAIS AS PESSOAS ESPER QUE CONTINUE ASSIM…TCHAUUUU

    • Raysa, o novo sempre causa controvérsia. Sempre vai haver quem é contra.
      Hoje rimos quando lembramos que farmácia era escrito com “ph”, amanhã serão nossos filhos e netos rindo da forma que escrevemos.
      Sim, é verdade que o novo acordo vai simplificar algumas regras, mas o que falta ao Brasil é dar educação ao povo.

  2. Raíssa Duarte says:

    Eu sou contra o acordo ortográfico.
    Porque um número absurdos de livros seram jogados foraa já que serão reescritos, o governo fez isso para favorecer-se com o novo acordo. O brasileiro vai ter que “reaprender” as novas regras.
    ;)

    • Raíssa, pessoalmente sou contra ao acordo. Como não haverá de fato uma Língua única, não creio que vá haver benefícios significativos.
      O basileiro foi o povo mais pacífico com relação a aceitação do novo acordo. Será que todos concordaram realmente ou se omitiram?

  3. Raíssa Duarte says:

    Bom, creio que os brasileiros se omitiram.
    Porque de uma certa forma a população gostou porque acha caiu o acento de algumas palavras, e mudou algumas regras mas..
    não é bem assim, a reforma ortográfica é mais complexa do que parece, uma prova é que não caiu a crase que em minha opinião é uma das regras de português mais difícil.Foi bem repercutivo mas, o povo está pensando:”ah!!! até 2010 eu aprendo as novas regras”.
    Eu também não sei se as escolas já estão implementando o novo acordo, na escola em que eu estudoa professora falou muito bem sobre o acordo, fez seminários, trabalhos, para que a gente venha se acostumando com o novo acordo!!!
    ;)

  4. Note que o “acordo” já existe desde 1990 e não foi aceito por todos os membros da CPLP. Oficialmente, o acordo foi assinado pela quantidade mínima necessária de países para que entrasse em vigor. Isso quer dizer que não houve realmente um acordo. Ainda mais que o próprio acordo prevê grafia dupla de algumas palavras.

  5. adriel says:

    Esse novo acordo gerou muita controversa em muita gente, principalmente em pessoas que sabiam colocar os pnto e aceto em seus devidos lugares e acho que isso vai dificultar muito!!!!!!!!!!!!!1

    • Olá Adriel!

      As mudanças não são fáceis mesmo, e olha que o Brasil não foi tão impactado quanto os outros membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Imagine quão contrariados ficaram os Portugueses…

      Obrigado pela visita!

  6. NAIDE - Portugal says:

    Olá António, eu moro em portugal a 6 anos, e também não concordo com o acordo ortográfico, acho que esse acordo não acrescenta nada de útil, e vejo sim, a dificuldade do povo português em aceitar essa mudança, por ser um povo muito ligado as tradições,quando cá cheguei, Portugal ja usava o euro como moeda, e é impressionante, como até hoje se fala ainda na moeda antiga, se fala e se vê nas estiquetas das mercadorias os dois preços, em Euros e em escudo (ou em contos, como os portugueses gostam de chamar os escudos). Sou casada com um português e tenho facilidade em entender esse jeito de fazer as contas. Mas, realmente, vai ser muito difícil para o povo português adaptar-se a essas novas regras. E parabéns pela sua explicação, simples e directa.(desculpa direta, que é como se diz no Brasil, e acho que vai ser assim também por cá).

  7. Wagner Barbosa says:

    “contanto que não tenhamos que trocar de nome” Eu fui afetado diretamente, a primeira letra do meu nome, não existe mais no alfabeto que eu aprendi desde os 4 anos. Mais penso que a mudança foi boa em geral e provavelmente só veremos alguma coisa concreta em 20 anos ou amis. Eu nunca tive dificuldade nenhuma com relação as regras e acentos no nosso português. O que vejo é que ficou muito mais fácil escrever. Por exemplo; escreviamos na antiga regra, “auto-retrato” e agora escrevemos “autorretrato”, “idéia” e agora “ideia”. “Lingüiça” e agora linguiça, (esse, já era praticado muito antes até na escola). Então o que veremos é que para as novas gerações ficará bem mais explicativo e fácil aprender. Havia muita coisa obsoleta e ainda há, como à crase (espero ter usado certo)que deveria mudar e a maioria não sabe usar de maneira correta. A trema é rídiculo. Vejo novos horizontes e uma oportunidade para unificação de línguas e aproximar culturas. Sempre há o que mudar, atualizar, ou parariamos no tempo. Vi uma frase que dizia: “Se acha que estudar é chato e perca de tempo, acustume-se com a ignorância!”

    • Wagner, na verdade o “W” nção fazia parte do alfabeto oficial aqui no Brasil e agora faz. A letra do seu nome é oficialmente aceito agora!
      Algumas regras são boas e outras nem tanto, mas quem vai dizer se vai ser aceita somos nós. Se aceitarmos, ela passa a vigorar de fato. Não é porque está no papel que vai ser seguida.

  8. Ai Ai Ai!!!!

    O povo Português arreigado a tradições, que idiotice, nem se compara!!!
    Os Brasileiros ainda escrevem Bahia com “h”. Os portugueses em 1911 fizerm mudanças muito mais radicais e ninguém morreu…

    Agora os Brasileiros arrebentam se não metem nos nomes próprios ou sobrenomes um h,w,k,y ou duplas consoantes. Tudo para parecer a escrita antiga. Aquela antes de 1911… Que se contem a quantidade de “manueis” com “u”. Tudo à moda antiga com “o”. E “thiagos” sem h? É mais fácil ganhar ao loto fácil…

    Cuidado… Antes de pensar pensem um pouco. Vos garanto, que os brasileiros nisso são muito mais tradicionalistas. No Brasil também se diz contos… Já agora quero esclarecer que um conto eram mil escudos que coinicidiu EXATAMENTE com 5 euros. Por isso ficou… Nada mais.

    • Paulo,

      Não são todos brasileiros que estão satisfeitos com essa reforma enfiada goela abaixo.
      O tal “h” de Bahia é tradição mesmo, Baía sem “h” difere da Bahia, pois esta última refere-se a um Estado brasileiro.
      Os Thiagos com H são modismo mesmo, para deixar o nome diferente (?), como tantas outras escolhas inusitadas que vemos por aí.
      Conto no Brasil acabou virando gíria, como grana, bufunfa etc. Não se usa mais “contos (de réis)” para designar dinheiro como era antigamente.
      Eu pessoalmente gostava do acordo anterior, cada um na sua, com suas peculiaridades. Não vai ser essa reforma que vai tornar o Português mais popular mundo afora.

  9. paulo says:

    Sua opinião o verdadeiro impacto aos brasileiros ?

    • Paulo,

      Ainda leva uns bons anos até tudo estar pacificado. Para os que vivem da boa escrita da Língua Portuguesa as mudanças serão assimiladas mais rapidamente. Escritores, jornalistas, professores e estudantes se acostumarão mais facilmente.

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