Carlos Magaldi Em 18 - junho - 2009

Atualmente tem sido divulgado, em muitos veículos de imprensa, o bom desempenho econômico que o Brasil tem obtido frente à crise econômica mundial, algumas matérias mais otimistas chegam a classificar o Brasil como um verdadeiro oásis econômico, um paraíso para o Capital estrangeiro e o refúgio das multinacionais de todo o globo, que encontram aqui, as condições necessárias para crescer ainda mais.

Sem dúvida que o investimento estrangeiro é bem-vindo, bem como os postos de trabalho e desenvolvimento econômico que este traz para nossa nação, mas o fato de o Brasil ter se tornado tão atraente ao capital estrangeiro e estar resistindo tão bem à crise econômica mundial passa longe de ser mérito decorrente de uma economia forte, sustentável e evoluída.

O que é bom para o povo brasileiro?

O que é bom para o povo brasileiro?

Em economia costumamos dizer que, tirando uma situação onde exista equilíbrio, o que é muito raro, quando algo esta muito bom para um lado, com certeza está, ou vai ficar, muito ruim para o outro. Se por um lado os investidores estrangeiros vislumbram um paraíso econômico em nossa nação, por outro o cidadão comum pode estar prestes a sucumbir em um verdadeiro inferno neste mesmo setor.

Se a economia brasileira aparenta estar inabalável frente à crise internacional, continuando atrativa ao capital estrangeiro, isso em muito se deve as nossas altas taxas de juros, uma das maiores do mundo, que garantem um retorno alto e seguro para os investidores externos. Juros altos são bons para o investidor, que ganha mais pelo capital aplicado, mas ruins para o cidadão que paga mais caro por empréstimos e financiamentos, além disso, como a maioria dos investimentos realizados aqui no Brasil são lastreados em papéis do governo, isso acaba gerando um compromisso deste, em pagar os juros contratados pelos seus investidores, e como governo não gera riqueza, adivinha quem paga essa conta? Quem pensou “o povo”, acertou. Afinal, nossos impostos estão entre os mais caros do mundo e não é à toa.

Não se limitando a isso, um mercado dominado por grandes corporações é seriamente tendencioso a formação de cartéis, monopólios e oligopólios, que destroem a concorrência e ditam o preço do mercado, tornando o consumidor comum um refém de seus preços e ofertas. Antes, se você considerasse um produto da Sadia caro poderia optar por um correspondente da Perdigão, ou vice-versa, mas e agora? Tirando a Brasil Foods você vai comprar nuggets de frango recheados de quem? Mesmo se tratando de empresas de capital nacional, este exemplo reflete bem as tendências de nossa economia.

Temos que saber ler nas entrelinhas, Nem tudo que é bom para o Brasil é bom para o povo Brasileiro, não adianta recebermos dezenas de empresas multinacionais de capital estrangeiro se não temos mão-de-obra qualificada para ser empregada por elas; de nada adianta termos empresas fabricantes de bens de primeiro mundo aqui no Brasil, quando nosso mercado consome a menor parte de sua produção, sendo a maior parte desta destinada a exportação, afinal produzir aqui é mais barato, pois a pouca mão-de-obra e recursos empregados aqui são mais baratos do que em um país de primeiro mundo; e mesmo que tivéssemos uma distribuição de renda mais igualitária que nos permitisse consumir mais, ainda nos faltaria infra-estrutura para isso, ou você acha que temos ruas e estradas para tantos carros ou mesmo energia elétrica para tantos televisores de plasma?

Esse “milagre” econômico brasileiro esta diretamente ligado, ao sacrifício econômico de seu povo. Talvez isso nos pareça imperceptível por sermos ainda um dos únicos países que não discrimina o valor dos impostos embutidos no preço de cada bem ou serviço, para o conhecimento de seu consumidor final; talvez isso nos pareça incompreensível devido a nossa pouca e fraca educação recebida de nosso falido sistema de ensino; talvez isso nos pareça menos atraente frente ao chope na sexta-feira com os amigos, o churrasco no sábado com a família ou mesmo o jogo de futebol no domingo. Concordo que exista espaço para tudo isso em nossas vidas, mas discordo quanto à falta de espaço para consciência e interesse sobre a política e economia de nosso próprio país, do qual, mesmo que não pareça, ainda fazemos parte.

É importante ler nas entrelinhas e não nos deixarmos levar por qualquer notícia, pelo menos não sem antes questionar. Afinal se em meio a um furacão existe uma casa em festa, existe no mínimo algo de estranho com essa casa, ou mesmo com seus habitantes. Nossa economia é extremamente baseada no estado e não no mercado, como são as economias mais evoluídas do mundo. E pensar que em um mundo globalizado uma crise econômica que afeta diretamente o nosso maior comprador, o Sr. Estados Unidos da América, não vai nos afetar, logo nós tão dependentes da exportação, é no mínimo ingenuidade. Nem mesmo nosso mercado interno pode consumir tudo o que produzimos. Em resumo, nem tudo que é bom para o país é bom para o seu povo.

Meu nome é Carlos Magaldi, e é nisto em que eu acredito!

Sobre Carlos Eduardo:
Carlos Magaldi Carlos Magaldi é formado em Ciência da Computação, Pós-Graduado em Finanças Públicas e atualmente cursa a faculdade de Ciências Econômicas, é interessado por Política, Economia e Relações Humanas de um modo geral. Gosta de ler bons livros e assistir a bons filmes. É casado e busca de forma incessante a evolução pessoal e profissional através do acúmulo de conhecimentos.
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2 Comentários

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