“Toda a dor, vem do desejo de não sentirmos dor”
Renato Russo.

A perda
Acredito que, de todas as dores que um ser-humano possa sentir, nenhuma se compara a dor da perda. Não existem palavras que possam confortar a morte de um amigo, o falecimento de um ente querido ou mesmo o simples término de um relacionamento.
Entregamo-nos ao pranto, sem ter como resistir à dor, a qual de tão forte vence o tempo e o esquecimento. Ninguém supera uma perda realmente, apenas aprende a conviver com ela. Tanto que basta uma música, um acontecimento ou qualquer mera lembrança, para trazer a tona o sentimento, a tristeza e a lágrima.
Ninguém está livre da perda. Ninguém. Muito menos do sofrimento, porém isso não deve significar o fim de nossas próprias vidas. O pranto, assim como o sorriso; o sofrimento, assim como a felicidade, são manifestações de nossa humanidade, elementos necessários para o nosso amadurecimento sentimental e o nosso desenvolvimento espiritual, elementos sem os quais não evoluiríamos como seres-humanos.
Nossa amargura e infelicidade mesmo que tenha nascido da perda, se perpetua de forma incômoda pela forma errada com a qual lidamos com ela. Sim, errada, pois tentar esquecer, lutar contra a lembrança é um erro, além de ser uma prática inútil. Ao invés disso, devemos cultivar a lembrança dos bons momentos que tivemos com aquela pessoa, buscar compreender, por mais difícil que seja, que o que realmente nos pertenceu e sempre pertencerá são os bons momentos que vivemos ao lado daqueles que amamos, o que realmente nos pertence, portanto, são os momentos e não as pessoas.
O lado positivo disso tudo, é que boas lembranças não envelhecem e não morrem jamais, mesmo uma pessoa idosa consegue se lembrar dos bons momentos vividos em sua juventude e quando lembra sorri, como se estivesse os revivendo naquele momento.
Tudo na vida tem seu início, seu meio e seu fim, não há nada de errado em chorar, em sofrer ou sentir medo, isso faz parte de nossa humanidade, o que não vale à pena é manter sua lembrança na dor da perda e não nos bons momentos vividos ao lado da pessoa amada. Afinal, não são as pessoas que nos pertencem mas os momentos, e esses jamais deixarão de ser seus.
Meu nome é Carlos Magaldi, que tal começar a cultivar bons momentos?
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Sobre Carlos Eduardo: Carlos Magaldi é formado em Ciência da Computação, Pós-Graduado em Finanças Públicas e atualmente cursa a faculdade de Ciências Econômicas, é interessado por Política, Economia e Relações Humanas de um modo geral. Gosta de ler bons livros e assistir a bons filmes. É casado e busca de forma incessante a evolução pessoal e profissional através do acúmulo de conhecimentos. |

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Olá, Carlos!
Eu concordo plenamente com vc, afinal, a vida é um constante ‘morrer’, não é mesmo? No entanto, a capacidade de ‘regeneração’ (digamos assim) de uma perda, é construída por diferentes pessoas, cada uma a seu modo. A vida é muito difícil, viver é muito complicado e há perdas terríveis, como a de um filho(a). Hoje, acabei de ler uma notícia sobre a morte de um goleiro alemão, vc deve ter lido. A polícia acredita que foi suicídio, ele teria se jogado diante de um trem em movimento. Atitude inexplicável para um jogador em ascenção (vinha sendo chamado para a seleção de seu país)? Acho que não, pois soube que ele jamais se recuperou da perda de sua filha (Lara) de dois anos de idade, por complicações cardíacas. Um fato isolado? Também acredito que não. Sem dúvida, nele ficaram as recordações (angústias!) que não puderam ser contidas, infelizmente. Escrevo isso porque os seres humanos não tem recebido o cuidado necessário que merecem, menos ainda nas organizações de trabalho. Creio que estamos longe de um zêlo eficaz, corajoso e digno. Carlos, parabéns pelo blog. Também tomei a liberdade de colocar no meu, um trecho de outro artigo seu, devidamente referenciado. Passe por lá! Abraços. J. Luiz
Olá Luiz!
Obrigado pelo seu comentário, fiquei muito feliz por saber que você gostou do texto, principalmente um que fala de um tema tão delicado como a perda. Concordo com voçê em todas as colocações de seu comentário, principalmente no ponto em que você fala que o ser humano não tem recebido o cuidado necessário em suas vidas, principalmente nas empresas em que trabalham, esse é um tema que me preocupa bastante, pois tenho percebido como o stress profissional tem tornado as pessoas doentes e infelizes. O Caras Que Acreditam nasceu com o propósito de ser uma voz contrária aquelas que ouvimos todos os dias, que buscam diminuir a nossa grandeza e destruir nossos sonhos, contrariando essas vozes buscamos passar para as pessoas uma mensagem positiva, baseada em argumentos sólidos e não apenas na simples esperança de uma vida melhor, não queremos apenas dizer que uma vida melhor é possível, queremos provar tal possibilidade, e para isso não podemos fechar os olhos para os obstáculos que a vida nos apresenta, mas sim os encarar de frente e vencê-los. Luiz acessei o seu Blog “Clareira da Existência” e adorei, gostei muito mesmo, passarei a acompanhar com freqüência seus posts e quem sabe neles conseguir mais inspiração para escrever os meus, muito obrigado meu amigo e um forte abraço.
É muito importante tocar num assunto assim tão delicado como este. Impossível contar as pessoas que estão sem norte neste exato momento, por causa de uma perda.
Bela observação a de conservar, reviver e não lutar contra as boas lembranças ao lado de quem já se foi. São elas que nos fazem sorrir, diante de um momento onde o “natural” é o pranto. E o sorriso é virtude fundamental para aqueles que querem alcançar o sucesso e causar o sucesso nos outros.
Sucesso…, cuidado com ele! Tive um professor de Fenomenologia que nos fazia olhar para um outro lado desta questão, ele dizia:
A plenitude de ser do homem, não é a realização na vida em termos de auto-realização. Quem tem sucesso, sempre quer ter mais sucesso. Ter sucesso é alcançar o esvaziamento de si mesmo. A plenitude de ser do homem é ele ser um espaço para a manifestação de outros seres. Este é o sentido da existência humana. Nichan Dichtchekenian
Concordo com a sua colocação, José Luiz. A busca pelo sucesso é uma caçada sem fim: quanto mais se tem, mais se quer.
Obrigado pela informação valiosa que me deste.