Existe uma história sobre a águia, uma história que diz que esta ave ao chegar a metade de sua vida aparenta já ter chegado ao fim, pois nessa idade seu aspecto em nada se assemelha ao da ave majestosa que foi em sua juventude. Nesta idade seu bico já se encontra grande e curvo demais, suas garras também se encontram muito grandes e curvas, assim como suas penas que crescem de forma irregular, uma atrapalhando o crescimento das outras, de forma que umas ficam grandes demais e outras caem antes do tempo.
Em um estado totalmente decrépito, a águia perde por completo sua eficiência como caçadora, qualidade fundamental para sua sobrevivência. Neste ponto a águia se defronta com um dilema: deve se entregar a tal estado e aguardar sua morte ou “renascer das cinzas” como a mitológica ave fênix?
Não aceitando tal condição, contrariando os limites impostos pelo seu próprio corpo, a águia voa até uma parte alta e isolada de um monte rochoso e começa a bater seu bico contra a pedra até que ele quebre e caia. Suportando a dor e o desconforto ela aguarda pacientemente um novo bico crescer, com esse novo bico ela arranca suas próprias garras, uma a uma, e mais uma vez aguarda que novas garras cresçam, por fim ela usa seu novo bico e suas novas garras para arrancar suas penas irregulares, deixando espaço para que novas penas possam nascer de forma harmônica.
Vencida a dor, a fome e o tempo a águia ressurge, inteiramente renovada, plenamente rejuvenescida, mais forte do que nunca, e uma caçadora ainda mais eficiente, com condições de fazer daquele ponto não o fim, mas apenas a metade de sua vida.
Assim como a águia, por vezes a vida nos impõe estados de derrota, humilhação e fracasso, seja em nossa vida profissional, afetiva ou mesmo em nosso estado físico. Nesse momento assim como a águia poderemos escolher, entre aceitar as condições que a vida nos impõe, ou dizer a ela quem realmente somos, sendo esta última opção a mais difícil a ser tomada, pois irá nos exigir dor, sofrimento, privações, paciência e perseverança, preços a serem pagos por uma nova vida. Podemos aceitar esse duro desafio ou aceitar os desígnios da vida.
Eu acredito que podemos voar alto como as águias, e erguer nossas cabeças, sem medo em nosso olhar ou em nossos corações, mesmo diante os maiores desafios e adversários que a vida nos impuser. Pois se fizermos como as águias, se nos despirmos de nossa auto-piedade e estivermos dispostos a pagar o preço e assumir os riscos necessários para obter o controle de nossas próprias vidas, estaremos no topo da “cadeia alimentar” e nada mais nos trará medo, pois seremos senhores de nós mesmos.
Meu nome é Carlos Magaldi e agora tenho algumas penas para arrancar.
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Sobre Carlos Eduardo: Carlos Magaldi é formado em Ciência da Computação, Pós-Graduado em Finanças Públicas e atualmente cursa a faculdade de Ciências Econômicas, é interessado por Política, Economia e Relações Humanas de um modo geral. Gosta de ler bons livros e assistir a bons filmes. É casado e busca de forma incessante a evolução pessoal e profissional através do acúmulo de conhecimentos. |

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