Carlos Magaldi Em 3 - março - 2010

Em minha casa tenho uma parede destinada a minha coleção de troféus. Não, não sou um desportista, e os troféus a que me refiro não são taças ou estatuetas de plástico e metal dourado. Na verdade estou mais para um acadêmico, e os troféus que exponho em minha parede são diplomas de cursos que realizei.

Pode parecer estranho o que vou dizer agora, mas o fato de ter colocado meus diplomas na parede me renderam, e ainda rendem, muito mais críticas do que elogios. Invariavelmente sou questionado por qual motivo resolvi colocar meus diplomas na parede. Nestas horas costumo a explicar que eles são meus troféus, que além de serem documentos que certificam que concluí um determinado curso e que estou habilitado a desempenhar profissionalmente alguma atividade, eles ainda representam grandes realizações pessoais, pois cada um deles me custou noites em claro e horas de estudo, e que por isso os considero troféus.

Por que não colocar o diploma na parede?

Diploma na parede?! © Stocksnapp

Estranhamente, na maioria das vezes, ao invés de receber um elogio, costumo receber uma crítica, educadamente indireta é claro. Nesse momento as pessoas costumam a me dizer coisas do tipo: “Um diploma é só um pedaço de papel, o que importa é aquilo que sabemos!”; “Mas por quê você não colocou uma foto da sua formatura nessa moldura, ao invés do seu diploma?”; “Essa instituição onde você se formou não é das melhores, boa mesmo é aquela onde meu namorado vai estudar”. Raras são as vezes que escuto algo do tipo: “Legal!”; “Parabéns!” ou “É isso ai cara!”.

Fico a me perguntar: Se ao invés de diplomas, eu tivesse prateleiras com troféus de campeonatos de futebol, seriam estes tão criticados? Algo me diz que não.

Por mais que os polidos, indiretos, educados e numerosos críticos dos meus troféus, tentem me convencer de que minha atitude de expor meus diplomas, seja uma prática antiquada e desnecessária. Eu continuo preferindo fugir deste senso comum, afinal muitos cursos custam tanto ou mais do que o valor de um carro 0 Km, e quando compramos um carro desses, fazemos questão de mostrar para todos, mas o diploma, este preferimos deixar guardado em uma pasta na gaveta do armário do quarto. É incrível como somos capazes de negar um tapinha nas costas de um acadêmico e aplaudir com entusiasmo e reconhecimento o mérito de um jogador de futebol, que marca o gol da vitória no último jogo do campeonato, sendo este campeonato composto por não mais que algumas dezenas de partidas, disputadas ao longo de alguns meses, e tendo este jogador, todo um time ao seu lado, e toda uma estrutura de assistência financeira, técnica, física, médica e psicológica ao seu dispor. Já aquele que se dedica aos estudos é facilmente visto com demérito, mesmo que por muitas vezes: tenha abdicado de seu lazer; agregado seu horário de estudos ao término de um dia duro de trabalho e reduzido seu orçamento familiar em detrimento dos custos de sua educação. Seus títulos não são vistos como troféus, mesmo que tenham sido conquistados ao longo de estudo diário, praticado durante aproximadamente 5 anos de sua vida, sem nenhum suporte financeiro, técnico, médico ou psicológico colocado ao seu dispor, tão pouco um time o auxiliando em dias de avaliação.

São por esses, e por outros fatores mais, que valorizo e muito os meus diplomas, e dou a eles um lugar de destaque em minha vida. Afinal, eles também representam todo o sacrifício e empenho que dediquei aos meus estudos. E por mais que eu concorde, que o valor do profissional esteja mais associado ao seu conhecimento e competência do que aos títulos que possui. Não sou signatário da idéia de que um diploma deva ser  considerado apenas um pedaço de papel, mesmo que se trate do diploma de um mau profissional. Afirmar isso, seria negar a existência de um simbolismo maior, seria como dizer: a um católico, por exemplo, que um crucifixo é apenas um pedaço de madeira, ou que a hóstia é um simples pedaço de pão; a um cristão, que a bíblia é um livro qualquer; a um patriota, que sua bandeira não passa de um pedaço de pano; ou ainda, a um casal, que sua certidão de casamento é um mero pedaço de papel.

Talvez não seja da nossa cultura valorizar conhecimentos, mas sim acontecimentos. Talvez ter uma boa imagem tenha se tornado mais importante do que o ter um bom conteúdo. Talvez os festejos tenham se tornado mais importantes do que aquilo que esta sendo celebrado. Não digo que o inverso seja o correto, mas sim que o equilíbrio seria o ideal. Que o estudo fosse tão valorizado quanto o esporte, que diplomas também pudessem ser considerados troféus, e que não fossem mais motivo de espanto e crítica quando fossem dispostos em uma parede.

Meu nome é Carlos Magaldi, e em minha opinião, simples pedaço de papel é aquilo que utilizam para embrulhar meia dúzia de ovos na quitanda da esquina, o que esta emoldurado na minha parede, se chama diploma.

Sobre Carlos Eduardo:
Carlos Magaldi é formado em Ciência da Computação, Pós-Graduado em Finanças Públicas e atualmente cursa a faculdade de Ciências Econômicas, é interessado por Política, Economia e Relações Humanas de um modo geral. Gosta de ler bons livros e assistir a bons filmes. É casado e busca de forma incessante a evolução pessoal e profissional através do acúmulo de conhecimentos.
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1 Comentário

  1. Walisson disse:

    Só passando pra dizer que dei uma passadinha aqui. Quando tiver um tempo eu leio.

    Abraço.

    Walisson Gomes.

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